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architexts ISSN 1809-6298


abstracts

português
Darcy Derenusson foi autor do projeto para a terceira capital do período republicano no Brasil, Boa Vista. O trabalho busca reconhece-lo no rol dos eminentes urbanistas do século vinte, frente à lacuna da história do urbanismo em relação a suas obras.

english
Darcy Derenusson was the author of the design for the 3rd planned capital in Republic period of Brazil, Boa Vista. This work recognizes him in the roll of eminent urbanists of the 20th century, in an existent gap of urban history in relation to his works.

español
Darcy Derenusson fue autor del proyecto para la tercera capital planeada en Brasil, Boa Vista. El trabajo busca reconocerlo en el rol de los urbanistas del siglo vinte, frente a la laguna existente en la historia del urbanismo con relación a sus obras.


how to quote

TREVISAN, Ricardo; FICHER, Sylvia; DERENUSSON, Isabella de Carvalho; DERENUSSON, Darcy Romero. Darcy Aleixo Derenusson. O engenheiro e urbanista que projetou Boa Vista – RR. Arquitextos, São Paulo, ano 18, n. 212.03, Vitruvius, jan. 2018 <http://mail.irmaosguerra.com/revistas/read/arquitextos/18.212/6864>.

“Partindo de um centro gerador, busca os confins do Norte de nosso território, irradiando a energia de seu povo, como a protegê-lo, Roraima, guardião do Norte. Lembrem-se. Na época em que foi projetada a planta da cidade de Boa Vista (1944-1946), estávamos no fim de uma guerra. E já muito antes disso, não poucos olhos gulosos invadiam nossas fronteiras com missões exploradoras e uma variedade de expedientes para se firmarem e ocuparem nossa terra. Mais do que simples radiais, mais do que um simples leque, seria a própria alma brasileira, presente, com o corpo e o coração, para garantir a integridade de nossos limites. É, portanto, o sistema radial o símbolo de união territorial, social, linguístico e ideário do povo brasileiro do Extremo Norte”.
Darcy Aleixo Derenusson, A Gazeta de Roraima, 09/07/1991

Com a criação pelo presidente Getúlio Vargas do Território Federal do Rio Branco em 13 de setembro de 1943, pelo Decreto-Lei n.º 5.812, tinha-se por objetivo ocupar e proteger os espaços vazios da região amazônica durante a II Guerra Mundial. À época, o território recém-delimitado era constituído por apenas dois municípios: Boa Vista e Catrimani. A primeira dessas municipalidades, fundada em 1890, foi a escolhida para receber aquela que seria a terceira capital de uma unidade federativa projetada e construída no período republicano – dando sequência a Belo Horizonte (1893) e Goiânia (1933) – e a única delas localizada no hemisfério norte.

O pequeno assentamento seria preservado, dado que sua localização em terreno elevado representava uma proteção contra as inundações do rio Branco. No entanto, suas dimensões e infraestrutura não garantiam as condições necessárias para responder à nova circunstância e abrigar as funções pertinentes à nova administração e ao aumento populacional que, com certeza, iria ocorrer. A comissão encarregada da instauração da nova unidade – presidida por Ene Garcez dos Reis, seu primeiro governador, e contando com a colaboração de Mário Homem de Mello, prefeito por ele nomeado em 20 de junho de 1944 – propôs o Plano Quinquenal Territorial, do qual constava a exigência de elaboração de um Plano Diretor para a nova cidade. Para conduzi-lo, foi feita uma concorrência pública que resultou na escolha da Darcy A. Derenusson Ltda., empresa comandada pelo engenheiro civil Darcy Aleixo Derenusson (1916-2002).

Derenusson iria chefiar uma equipe multidisciplinar incumbida da confecção do cadastro topográfico do sítio, da elaboração dos projetos de saneamento, de urbanização e de edificações e da implantação das redes de captação de esgotos sanitários e de águas pluviais, de abastecimento d’água e de energia elétrica. Na ocasião, ao invés de se optar pela simples expansão espontânea da área urbanizada, a solução adotada foi um projeto integralmente novo, dando continuidade, contudo, ao tecido existente, tal como ocorrera nos modelares projetos de Cerdà para a ensanche de Barcelona (1859) e de Berlage para Amsterdam Sul (1914-1917). Esta decisão foi tomada para expressar simbolicamente a vontade de sobreposição ao velho, ao passado, ao precário, à desordem e, em seu lugar, semear o novo, o avançado –, em suma, o progresso. Um plano previsto para atingir sua ocupação total em 25 anos.

Então, Boa Vista contava com cerca de mil e oitocentos habitantes, um par de dezenas de quadras irregulares distribuídas ao longo de três vias paralelas ao rio, uma centena de residências, o Hospital Coronel Motta, a igreja matriz, a prelazia (1). Com o novo projeto, esse núcleo original foi estendido com a sobreposição e acréscimo de um traçado parcialmente rádio concêntrico, que combina doze vias irradiadas a partir de uma grande praça e cinco avenidas envoltórias com uma série de ruas que seguem um padrão em xadrez. Circundado esse arcabouço, foi previsto um cinturão verde de modo a controlar e conter o crescimento da cidade e acomodar grandes equipamentos, como o aeroporto, o hipódromo e o estádio desportivo. Em nenhum sentido uma concepção inovadora, concebida em consonância com modelos já largamente aplicados desde as cidades ideais renascentistas e retocados por uma extravagância barroca, esta configuração enfatizava um ponto focal, a praça cívica central – com cem metros de largura, somando-se praça e vias marginais. Para impor sua monumentalidade cênica, esse espaço deveria ser enquadrado por edifícios administrativos e instituições culturais em estilo art-déco.

Ainda que o plano previsse uma esplanada verde e extensos gramados no interior das quadras, é de salientar a falta de um tratamento paisagístico para as margens do rio Branco, provavelmente por riscos de assoreamento no local, uma vez que Derenusson tivera experiências anteriores no assunto. Lembrando, sempre, que tal orientação passaria a ser mais amplamente explorada por planejadores brasileiros apenas da década de 1950 em diante, como bem exemplifica o Parque do Flamengo, um aterro sanitário que contorna trecho da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Em uma curiosa coincidência, as obras de implantação daquele renomado projeto de Roberto Burle Marx (1909-1994), Lota de Macedo Soares (1910-1967) e Affonso Eduardo Reidy (1909-1964), seriam anos depois inspecionadas pelo próprio Darcy A. Derenusson. Ao fim e ao cabo, a saída encontrada para a beira-rio de Boa Vista foi dispor à vegetação local a função de entrelaçar naturalmente o rio e a cidade.

De acordo com as boas práticas sanitárias, a implantação da nova cidade começou pela construção das redes de esgotos e de águas pluviais, seguida pela abertura das avenidas radiais. Chegando-se à década de 1950, cinco bairros já estavam estabelecidos: Porto da Olaria, Rói-couro, Caxangá, Praça da Bandeira e Centro, totalizando 17 mil habitantes. Toda a operação logística era feita via Manaus, uma vez que grande parte dos produtos e bens tinha que ser importada de outras regiões, requerendo assim um adicional de cerca de seis meses para chegar a Boa Vista. O planejamento das obras foi, portanto, questão crucial, demandando alternativas àquelas existentes in loco. Um panorama que revela não apenas a precariedade das ligações entre as principais cidades do país à época, como a insuficiência da indústria local para materializar o empreendimento.

Um ritmo vagaroso. As obras se iniciaram na gestão de Ene Garcez dos Reis e perpassaram as administrações de outros três governadores: Félix Valois de Araújo (1946 a 1948), Clóvis Nova da Costa (1948 a 1949) e Miguel Ximenes de Melo (1949 a 1951). No entanto, mesmo com a descontinuidade dos governos, Derenusson se surpreendeu ao ver que a cidade cresceu conforme o planejado em sua origem, ao visita-la em 1966. De fato, o rompimento da malha original ocorre apenas nos anos 1980 pelo crescimento urbano demográfico.

Em 1962, o Território Federal do Rio Branco teve sua denominação alterada para Território Federal de Roraima. Com a promulgação da nova Constituição Federal em 5 de outubro de 1988, seu status foi alterado para Estado de Roraima. A partir daqueles mil e tantos habitantes, Boa Vista abriga hoje cerca de 320 mil moradores, salto demográfico que só possível graças à sua refundação.

Engenheiro civil Darcy Aleixo Derenusson, 1916-2002
Foto divulgação [Acervo da família Derenusson]

Este breve relato sobre a epopeia de mais uma cidade nova administrativa no Brasil serve para introduzir um urbanista engenheiro cujo sonho de projetar e construir uma cidade se realizou: Darcy Aleixo Derenusson. Profissional relegado ao segundo plano, quando comparado a colegas que desempenharam o igual ofício de projetar novas capitais – como Aarão Reis (1853-1936), Attilio Corrêa Lima (1901-1943) e Lucio Costa (1902-1998). Esses três urbanistas têm em comum a autoria de planos urbanísticos para cidades de caráter administrativo. Neste rol, o nome de Derenusson ficou omisso na crônica do urbanismo brasileiro, por esta acatar apenas Belo Horizonte (1893), Goiânia (1933), Brasília (1957) e, por último, Palmas (1989), como as capitais projetadas no período republicano (2). A ausência de Boa Vista (1944) desse seleto grupo talvez encontre justificativa na própria localização de Roraima, facilmente esquecida no cenário econômico-social do país; talvez no fato de não ser considerada uma cidade nova aos moldes das outras quatros, seu projeto sendo entendido como um mero plano de expansão para um assentamento existente; ou talvez pela própria postura reservada de Derenusson, que não escreveu nem divulgou documentos ou fotos do projeto – as únicas imagens aéreas do conjunto urbanísticos datam da década de 1970, publicadas por revistas como National Geographic e Manchete.

Mais do que posicionar o projeto para Boa Vista no universo temático das cidades capitais projetadas (3), este texto pretende valorizar a produtiva vida e extensa obra de Derenusson. Projetista, construtor, funcionário público, professor, empresário e representante de entidades de classe, Darcy Aleixo Derenusson foi um profissional que circulou de maneira desenvolta e versátil por diversas atividades, perpassando mais de uma área de atuação, articulando mais de um campo de saber – topografia, construção, urbanismo, engenharia sanitária, arquitetura, entre outros. Uma trajetória que transitou pelas diferentes escalas da cidade, oferecendo desse modo uma visão mais complexa e enriquecedora de sua disciplina.

Além de fazer uma homenagem, ainda que um ano atrasada, por ocasião do centenário de seu nascimento, nosso propósito é compartilhar informações sobre uma biografia que ainda tem muito a revelar, uma vez que menções a Derenusson são raras e ficaram restritas a trabalhos acadêmicos que – sem detrimento de sua qualidade – têm como foco, de fato, Boa Vista. Este é o caso de: 1º) a tese A produção do espaço urbano de Boa Vista – Roraima (4), defendida no Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da USP; 2º) o artigo Visadas sobre Boa Vista do Rio Branco: razões e inspirações da capital de Roraima, 1830-2008 (5), publicado no periódico Tempos Históricos; 3º) a dissertação Lugar de Memória: o plano urbanístico de Boa Vista – RR (6), defendida no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, IPHAN/RJ; 4º) a dissertação A forma urbana do centro de Boa Vista – RR a partir das influências do primeiro plano urbanístico (7), defendida na Universidade Federal de Roraima; e 5º) o artigo Brasil: um século, cinco cidades novas administrativas (8), publicado nos Anais do XVII Enanpur.

A condição de viabilidade deste trabalho se deu graças à parceria estabelecida com Darcy Romero Derenusson – filho de Darcy Aleixo, arquiteto e urbanista, depositário do acervo de seu pai – e com Isabella de Carvalho Derenusson – filha de Darcy Romero e graduanda em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília. Diante da excepcional e rara oportunidade de se obter importantes documentos e relatos diretamente com a família de Derenusson, as fontes primárias constituem o seu principal alicerce, objetivando-se dar um caráter científico aos dados aqui expostos. Para melhor expor as informações, adotou-se por fio condutor uma lógica cronológica, apresentando as três fases mais características da vida profissional de Derenusson: a formação acadêmica e seus inícios profissionais até a ida para Boa Vista; a atuação como projetista e empresário em Boa Vista e, por fim, o seu notável fôlego em diversas iniciativas, exercidas predominantemente na cidade do Rio de Janeiro.

Formação acadêmica e iniciação profissional

Darcy Aleixo Derenusson nasceu a 1º de agosto de 1916 no Rio de Janeiro, filho de Paulo José Derenusson e Luiza Maria Aleixo Derenusson. Passou sua infância em Uberaba, onde seu pai era proprietário da Paulo Derenusson & Cia – Ford, Vendas e Serviços. Naquela cidade, de 1924 a 1928 fez os estudos primários no Colégio Marista, concluindo os estudos secundários no Ginásio Diocesano em 1933, ano do projeto de Attilio Corrêa Lima para Goiânia, a ser construída não muito longe. Em 1934, aos 18 anos de idade, Darcy rompe com sua zona de conforto – o morar com a família – e segue para São Paulo no fito de prestar vestibular. Não aprovado, muda-se para o Rio de Janeiro para se dedicar mais intensamente aos estudos; a tal ponto que, segundo relatos da época, teria feito um juramento de que só viraria uma página do manual de cálculo após entende-la plenamente. Os frutos logo foram colhidos e em 1935 foi admitido na Escola Nacional de Engenharia, no Largo de São Francisco.

Darcy Aleixo Derenusson em sua colação de grau na Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, Rio de Janeiro, 1939
Foto divulgação [Acervo da família Derenusson]

Lá obteve em dezembro de 1939, aos 24 anos, o título de engenheiro civil (9). Mas vale ressaltar que durante a graduação, fomentou sua formação com atividades extracurriculares. Nas férias de 1936 estagiou na oficina da Estrada de Ferro Central do Brasil - EFCB, localizada no bairro de Engenho de Dentro. De 1936 a 1937 foi auxiliar técnico da empresa construtora Ribeiro Maltez & Cia. No ano seguinte, já era auxiliar de secretaria do então Sindicato Nacional de Engenheiros, sendo responsável por organizar a secretaria e a biblioteca da instituição. Naquele mesmo ano trabalhou na revista Viação e Urbanismo, criada em 1938 pelo engenheiro civil Francisco Batista de Oliveira, presidente do Departamento de Urbanismo do Centro Carioca. Em 1939 estagiou como auxiliar de engenheiro na Diretoria de Saneamento da Baixada Fluminense, dirigindo e fiscalizando obras de drenagens nos rios Iguaçu, Sarapuí, Capivari, Imbariê, Saracuruna, entre outros (10).

Ou seja, uma sequência de treinamentos que possibilitaram ao recém-formado conhecimentos e práticas diversas que iriam lhe favorecer nas responsabilidades que em breve iria assumir. Como exemplo, as dificuldades encontradas nos trabalhos executados na Baixada Fluminense, atuando em serviços de topografia em áreas alagadas, foi basilar para os estudos necessários na elaboração do projeto urbanístico de Boa Vista, cujas condições ambientais eram relativamente similares.

Uma primeira experiência veio a 17 de setembro de 1940, quando foi nomeado professor assistente da disciplina “Topografia e Noções de Aerofotogrametria” da Escola Nacional de Engenharia, sob a regência do catedrático Otávio Reis de Cantanhede Almeida e na vaga do professor Américo Leônidas Barbosa de Oliveira, removido para cargo administrativo no governo federal. Sua nomeação, feita pelo presidente Getúlio Vargas e assinada pelo ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, registra sua iniciação na docência, a qual se estenderia até julho de 1944.

Para além do ensino, Derenusson reverberou seus conhecimentos para áreas práticas, primeiro na Empresa de Topografia Urbanismo e Construções – Etuc. Bem como ampliou conhecimentos graças à participação no 1º Congresso Brasileiro de Urbanismo, organizado justamente pelo Centro Carioca, tendo o próprio Batista de Oliveira como presidente da comissão organizadora e realizado de 20 a 27 de janeiro de 1941. Nele, integrou a IV Comissão - Urbanismo e Habitações, a qual teve como presidente o médico José Mariano da Rocha Filho, como secretário o engenheiro Djalma Landin, e como relator o arquiteto Affonso Eduardo Reidy.

Na Etuc, de propriedade do mesmo Cantanhede Almeida, Derenusson foi responsável por inúmeros levantamentos topográficos entre 1940 e 1942, tendo realizado medições nas cidades de Barra Mansa, Pinheiros, Niterói, São Gonçalo e Friburgo. Participou dos estudos preliminares de geomorfologia para a implantação da Companhia Siderúrgica Nacional – CSN, em Volta Redonda, cidade que recebeu projeto urbanístico de Attilio Corrêa Lima em 1941. Ainda na ETUC, em 1943 assumiu o posto de engenheiro responsável da sua filial em Niterói, quando desenvolveu a revisão cadastral da cidade com vistas à execução de serviços de águas e esgotos.

Em dezembro de 1943, então com 27 anos, abre seu próprio escritório técnico, a Darcy A. Derenusson Ltda. Além de mais de duas centenas de levantamentos topográficos em cidades dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, executou uma série de obras e serviços no Rio de Janeiro, dentre eles:

  • Ponte com vão de 12 metros, à rua Andrade Araújo, em Madureira;
  • Escola Piranema, no Núcleo Colonial de Piranema, no km 47 da estrada Rio-São Paulo, atual Via Dutra;
  • Residência à rua Eurico Cruz, no Jardim Botânico;
  • Residência à rua Gonzaga Bastos, em Vila Isabel;
  • Residência à rua Professor Gabizo, na Tijuca;
  • Residência à rua Geremário Dantas, em Jacarepaguá;
  • Residência em Petrópolis;
  • Loteamentos em Penha, Irajá, Petrópolis e Itaipava;
  • Estrada das Arcas, em Itaipava;
  • Loteamento e obras de arruamento, galerias de águas pluviais e ensaibramento na Estrada do Areal, em Coelho Neto;
  • Edifício anexo do Colégio Atheneu São Luiz, à rua Silveira Martins, no Catete.

Uma formação que lhe proporcionou savoir-faire e raciocínio operacional para desempenhar a função que estava por vir. Uma experiência prática que o pôs em contato com profissionais de destaque à época, como – além dos já citados Francisco Batista de Oliveira, Otávio Reis de Cantanhede e Américo Leônidas Barbosa de Oliveira – Attilio Corrêa Lima, Plínio Cantanhede, Américo Campelo, Affonso Eduardo Reidy, Carmen Portinho, Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Saturnino de Brito Filho, Nestor Egydio Figueiredo, entre outros. Uma produção profícua e consistente para um jovem engenheiro civil que aos 28 anos está prestes a realizar sua obra prima: Boa Vista.

Boa Vista e Riobras

Em 12 de agosto de 1944 é publicado no Diário Oficial da União (DOU):

“O Governo do Território Federal do Rio Branco, faz público que acha-se aberta concorrência para urbanização da cidade de Boa Vista, capital do referido território.

As propostas, em envelope lavrado, serão aceitas até o dia 27 do corrente, à Avenida Rio Branco, n.° 117, sala 415, nesta Capital, onde os interessados receberão todos os dados informativos para execução do referido serviço.

Rio de Janeiro, 11 de agosto de 1944. — José Oliveira da Costa Maio, Proc. do Território Federal do R. Branco.” (11)

Além da firma de Derenusson, também entraram na concorrência pública: 1) Carlos Teles; 2) Empresa de Topografia, Urbanização e Construções Ltda. e 3) F. Rocha Vilaça. O resultado foi divulgado a 21 de setembro:

“Apresentaram-se quatro concorrentes. As propostas abertas em presença dos interessados e rubricadas pelos mesmos, posteriormente examinadas e julgadas pela Divisão de Obras do Ministério da Justiça e Negócios Interiores, foi observado, ter obedecido as instruções para execução dos serviços, nada mais havendo senão abjudicar à firma Darcy A. Derenusson, por apresentar preço total mais baixo e menor prazo” (12)

A 13 de outubro de 1944, Derenusson registra seu nome na história do urbanismo brasileiro ao assinar o Contrato nº 1, do Livro nº 1 de Contratos do Governo do Território Federal do Rio Branco, regido pelo Código de Obras do Distrito Federal, conforme estabelecido pelo Decreto nº 6.000, de 1º de julho de 1937. Contando com uma equipe de conceituados especialistas, iria dirigir e coordenar toda ordem de projetos e obras de urbanização. Ao todo, seu plano resultou na produção de cerca de 1.000 plantas, detalhando quantidades de materiais necessários a cada obra, constando ainda de:

  • Levantamento topográfico planialtimétrico e cadastral da vila existente e arredores, numa extensão de 20km², com a confecção de planta em escala de 1:1.000;
  • Recenseamento geral da população (1.800 habitantes);
  • Estudos socioeconômicos de produção, comércio e habitabilidade;
  • Elaboração do Plano Diretor da cidade;
  • Elaboração do Plano de Urbanização, com detalhamento indispensável à sua execução;
  • Projeto da rede de abastecimento d'água, incluindo captação, adução e distribuição;
  • Projeto da rede coletora de esgoto sanitário (separador);
  • Projeto das galerias para captação de águas pluviais;
  • Projeto da rede de energia elétrica e distribuição;
  • Elaboração do Código de Obras;
  • Projeto de escolas, edifícios públicos e residências.

Vista aérea do antigo assentamento de Boa Vista, em 1945
Foto divulgação [Acervo da família Derenusson]

Lembrando que à época o deslocamento entre o Rio de Janeiro e Boa Vista levava cerca de dois meses, sendo que o percurso final era feito por barco pelo rio Amazonas e seus afluentes, em 1945 Derenusson e equipe realizam as primeiras visitas ao sítio e agilizam a abertura de escritório no assentamento existente. O passo seguinte foi identificar a necessidade de medidas mitigadoras e de combate aos focos de mosquitos responsáveis por surtos epidêmicos na região. Tal discurso higienista, em voga desde fins do século dezenove entre médicos sanitaristas, planejadores e gestores de cidades, sorvido por Derenusson em seus trabalhos na Baixada Fluminense, encontrou na fase preliminar do plano de Boa Vista um amplo campo de aplicação. Era preciso primeiro sanear para só depois urbanizar. Relatos do próprio engenheiro revelam que em menos de dois anos Boa Vista não mais registrava casos de malária e que a mortalidade infantil havia caído para níveis baixíssimos.

Concomitantemente ao processo de saneamento, foi realizado minucioso levantamento topográfico a fim de aferir medidas para traçar o projeto urbanístico. Uma primeira planta topográfica – que levou oito meses para ser concluída – permitiu estabelecer as diretrizes de projeto da nova cidade. A fim de explicar a proposta e motivar a população local sobre os ganhos que estavam por vir, foi feita uma maquete, a qual ficou exposta por um mês na loja Mesbla no Rio de Janeiro, antes de ser levada em definitivo para Boa Vista em fins da década de 1940. Notando-se que o projeto previa a permanência da população residente e não sua remoção.

Pelas inescapáveis dificuldades logísticas – tais como conseguir materiais de construção –, partir da tábula rasa e erguer a capital do zero estava fora de cogitação. Embora não seja evidente à primeira vista, o projeto preservou e incorporou o quanto pode do traçado existente para, a partir dele, expandir-se de modo radio concêntrico. Para estabelecer ordem num universo em que a lei era algo raro, os edifícios públicos foram localizados no centro desse esquema e foram estabelecidas quadras residenciais permeadas por áreas verdes que se estendem até o cinturão verde periférico aos moldes do ideário howardiano de cidade-jardim.

Após sofrer acurada análise da Divisão de Obras do Ministério da Justiça e da Divisão de Edifícios Públicos do Departamento Administrativo do Serviço Público - DASP, o plano de urbanização foi aprovado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra em 1946, tendo início sua implementação a 22 de maio. Para sua execução, Derenusson criou em 1947 a Riobras Industrial Ltda., na qual atuou como sócio-gerente e engenheiro. Essa empresa foi responsável por inúmeras obras na capital roraimense entre 1947 e 1950, entre elas:

  • Construção de cais de atracação às margens do rio Branco;
  • Construção de galerias de águas pluviais, com fabricação própria de tubos de concreto vibrado, com produção de 400 tubos/dia;
  • Construção de rede coletora de esgotos sanitários, com fabricação de manilhas de barro vidrado em olaria própria;
  • Arruamento e instalação de meios-fios e sarjetas da Avenida Floriano Peixoto;
  • Construção de dez escolas rurais, contando residência para professor;
  • Construção da Praça de Esportes Capitão Clovis;
  • Construção do Matadouro Modelo;
  • Construção do Hotel Boa Vista, com vinte apartamentos e trinta quartos;
  • Construção de vinte casas para o Instituto de Previdência e Assistência aos Servidores do Estado - Ipase e outras obras menores.

Segundo relato do ex-funcionário da prefeitura, Valdir Paixão, a aprovação das construções era extremamente rígida visando pleno acordo com o projeto original da cidade. Já o ex-funcionário da Riobras, Raul Valente, declarou: “Tudo que aprendi na vida devo seu Darcy. Todo sábado de manhã ele chamava aquela garotada, abria uma planta no chão da praça e ensinava o que era projeto, o que era viga, o que era uma laje, etc.” (13). Para Derenusson, não eram seus empregados, mas seus “companheiros de trabalho”.

Além de construtora e empreiteira, a Riobras era produtora dos materiais de que necessitava – dadas as dificuldades logísticas –, o que não erafornecido por sua usina de concreto e sua olaria tinha de ser transportado por avião, um Douglas C47 desua propriedade – e chegou até a ser proprietária do Amazônia Futebol Clube. Essa empresa foi o modo encontrado por Derenusson para assegurar a efetivação da cidade, frente às frequentes mudanças no cenário político.

De 1944 a 1951, exceto durante o governo de Félix Valois (1946-1948), Derenusson participou ativamente na implantação da cidade, morando por lá nesse período. Todavia, tal devoção ao empreendimento fez com que abdicasse temporariamente de sua família, que permanecia no Rio de Janeiro. Mas sempre que possível, retornava à capital federal, quando aproveitava a ocasião para lá desenvolver alguns projetos. Tanto assim que pela Darcy A. Derenusson Ltda. realizou em 1946 projeto de loteamento e obras de arruamento na Estrada do Areal, em Coelho Neto. No mesmo ano, como engenheiro responsável da empresa Simaco & Cia., projetou: uma ponte sobre o rio Grande, com vão de 18 metros, na Estrada dos Teixeiras, em Jacarepaguá; as galerias de águas pluviais, meio-fio e calçamento de quinze ruas nos bairros de Penha e Olaria; e uma muralha de sustentação na Estrada do Redentor, no Alto da Boa Vista.

De volta ao Rio de Janeiro, diversas atuações

Em 1951, devido a entraves políticos e dificuldades operacionais em Boa Vista, Derenusson retorna em definitivo ao Rio de Janeiro. Projetar e implantar uma cidade certamente fora uma ocasião única, que seletos profissionais têm a oportunidade de provar. Mesmo assim, experiência tão notória não modificou sua dedicação e entusiasmo aos demais afazeres de engenheiro e, muito menos, fez com que se fechasse na redoma de renomado autor de projetos de cidades capitais. Talvez tenha sido tal distanciamento e anonimato que tenha possibilitado a Derenusson seguir atuando em diferentes áreas técnicas, transitando por diversas escalas, dialogando com diferentes profissionais e entidades, como se verá.

Entre 1954 e 1958, a Darcy A. Derenusson Ltda. expande sua produção a partir do know-how adquirido em Boa Vista, abrindo uma fábrica de artefatos cimentícios, como: mourões, tubulões, caixilhos, caixas de inspeção, calhas, postes ornamentais, cobogós etc. Sabe-se que foi um dos fornecedores de materiais na construção dos prédios de apartamentos do Parque Guinle (1954), projeto de autoria de Lucio Costa. Por outro lado, esteve ausente do principal evento urbanístico do período – o concurso para a escolha do plano para Brasília e a sua implantação. Sem se afastar do urbanismo, o rumo que toma seria outro, pois em 1959 ingressa na 4ª Divisão de Obras de Saneamento do Governo do Estado da Guanabara, para em seguida assumir a chefia do Serviço de Topografia da Divisão Técnica do Departamento de Urbanização da Superintendência de Urbanização e Saneamento – Sursan.

Na Sursan, estabeleceu novos métodos de condução dos trabalhos topográficos. Os exitosos resultados obtidos podem ser aferidos em importantes realizações, tais como: execução do Viaduto dos Marinheiros; execução do Viaduto dos Fuzileiros no tempo recorde de seis meses; finalização do Túnel Lagoa/Cosme Velho, atual Túnel Rebouças, com extensão de 2.200m e no qual se verificou erro de apenas 6cm em planta; diversas obras de urbanização do Departamento de Urbanismo – Durb, com destaque para o Aterro do Flamengo, onde foi o responsável por todas as locações, incluindo vias, passeios, passarelas, além da vegetação em obediência ao projeto de paisagismo de autoria de Roberto Burle Marx e Lota de Macedo Soares.

Darcy A. Derenusson, aos 45 anos, como diretor da Comissão Especial da Carta Cadastral - CECAD/SURSAN, 1964
Foto divulgação [Acervo da família Derenusson]

Em resposta à condução efetiva dos trabalhos de topografia, foi criada na Sursan, pelo Decreto n.º 251, de 7 de julho de 1964, a Comissão Especial da Carta Cadastral – Cecad, órgão incumbido do levantamento de imóveis existentes no Estado para efeitos de registro e taxação. Assumindo sua chefia no mês seguinte, Derenusson permaneceria à sua frente até se aposentar em 1986, aos 70 anos de idade. Na Cecad implantou o registro eletromagnético de coordenadas com a utilização de computadores, tecnologia ainda pouco difundida naquela época no país.

Na Cecad, entre os trabalhos desenvolvidos, constam:

  • Planejamento e execução do levantamento topográfico planialtimétrico e cadastral na escala 1:500 dos rios que deságuam na Baía de Guanabara, num total de cerca de 170km de extensão em faixa de 50 a 100m de cada lado do eixo dos rios;
  • Coautoria do artigo “Os aguaceiros e as encostas da Guanabara” (Sursan, 1966);
  • Projeto e execução de sistema de nomenclatura das folhas de desenho no Estado da Guanabara;
  • Introdução do método de cálculo analítico nos trabalhos de locação do projeto geométrico de obras de urbanização, tais como: o viaduto do Trevo das Forças Armadas, o Túnel Rebouças, o Parque do Flamengo e todas as demais obras de urbanização então sendo realizadas pela Sursan;
  • Planejamento e execução de levantamentos topográficos de áreas de interesse para urbanização por adjudicação a firmas ou profissionais previamente selecionados (14);
  • Membro do Grupo de Trabalho que elaborou o projeto do Túnel Estravasor (15);
  • Aterro para ampliação e contenção da Praia de Copacabana e a duplicação da Avenida Atlântica (16);
  • Assessor Técnico para a elaboração do escopo de trabalho e execução do levantamento topográfico e cadastral necessário para as obras de construção do metrô.

Como parte de suas atividades na gestão pública estadual, em 1961 Derenusson integrou a Comissão de Planejamento e Implantação do Campus – Coplimc da Universidade do Estado da Guanabara, a ser implantado na área da Favela do Esqueleto, junto ao Estádio do Maracanã. No ano seguinte, integrou a comissão incumbida de estabelecer normas e programas para o concurso de preenchimento dos quadros técnicos de engenheiros e arquitetos, participando inclusive da sua banca examinadora.

Em 1963, Derenusson retoma a docência, agora na Universidade do Estado da Guanabara, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ (1963-1986); na Universidade Gama Filho (1971-1983) e na Universidade Santa Úrsula (1971-2002). Nessas instituições, além de regressar às atividades desenvolvidas quando professor da Escola Nacional de Engenharia, o engenheiro assume também cargos administrativos de coordenação e direção de cursos.

Na Faculdade de Engenharia da UERJ, de março de 1963 a 1986 foi catedrático e, posteriormente, professor adjunto de “Topografia e Noções de Aerofotogrametria”. De 1964 a 1976 e de 1980 a 1986, chefiou o Departamento de Engenharia Civil, intercalado pelo cargo de diretor da faculdade de 1976 a 1980. Na direção, foi o responsável pela criação, na habilitação em Engenharia Elétrica, do Curso de Especialização em Engenharia de Sistemas e Computação e, na habilitação em Engenharia Civil, do Curso de Especialização em Engenharia Sanitária.

Na Universidade Gama Filho, lecionou na Escola de Engenharia de 1971 a 1983, período em que chefiou seu Departamento de Engenharia Civil, e na Escola de Arquitetura e Urbanismo de 1971 a 1980. Na Universidade Santa Úrsula, foi professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo de 1971 a 1978 e do Curso de Engenharia Civil de 1971 a 2002, até seus 86 anos de idade. Neste último, chefiou o Departamento de Engenharia Civil de 1978 até igualmente os 86 anos.

Vale ressaltar as atividades como vogal em entidades de classe. Portador do registro no Crea RJ n° 3.142-D, foi conselheiro (1970-1993) e presidente da instituição. Foi fundador (1979) da Associação Brasileira de Engenheiros Civis – Abenc em 1979, tendo sido seu presidente (1981-1985); membro do Clube de Engenharia (1981-2002); presidente do l Congresso Brasileiro de Professores e Profissionais de Engenharia (1985); presidente da Associação dos Antigos Alunos da Politécnica – A3P (1991-1998); criador e primeiro presidente da Fundação Politécnica (1993), associação incumbida da preservação do prédio onde funcionou a Escola Politécnica – ou Escola Nacional de Engenharia –, no Largo de São Francisco, para sede do Centro Cultural da Engenharia Brasileira.

Umas poucas considerações finais

Darcy Aleixo Derenusson faleceu devido a complicações respiratórias em 17 de maio de 2002, em sua cidade natal, o Rio de Janeiro. Este insigne engenheiro foi, igualmente, projetista, professor, topógrafo, empresário, gestor, vogal. Enfim, um urbanista brasileiro.

Além de desbravador e pioneiro aos moldes daqueles que adentraram os sertões do país, exerceu com grande energia uma ampla gama de talentos: projetou estradas, edificações, loteamentos e cidade; fez levantamentos topográficos e cálculos estruturais; construiu pontes, redes sanitárias e todo tipo de edifícios. Como funcionário público da administração carioca, tem seu nome associado à implantação da Carta Cadastral do Estado, às obras do Aterro do Flamengo, da Praia de Copacabana, do Túnel Rebouças, do Metrô. Empresário de sucesso e representante de entidades de classe, exerceu a docência em algumas das mais importantes instituições de ensino superior do Rio de Janeiro.

Fica no ar a questão: por que será que Darcy Aleixo Derenusson não se interessou em participar no concurso para o plano piloto de Brasília?

notas

1
VERAS, Antonio Tolrino de Rezende. A produção do espaço urbano de Boa Vista – Roraima. Tese de doutorado. São Paulo, FFLCH USP, 2009.

2
LEME, Maria Cristina da Silva (org.). Urbanismo no Brasil, 1895-1965. Salvador, Editora UFBA, 1999.

3
TREVISAN, Ricardo. Cidades novas, Brasília. Tese de doutorado. Brasília, FAU UnB, 2009.

4
VERAS, Antonio Tolrino de Rezende. Op. cit.

5
MORAES, Carla Gisele Macedo Santos Martins; GOMES FILHO, Gregório Ferreira. Visadas sobre Boa Vista do Rio Branco: razões e inspirações da capital de Roraima (1830-2008). Tempos Históricos, Cascavel, vol.13, 2010, p. 137-166.

6
RAMALHO, Paulina Onofre. Lugar de Memória: o plano urbanístico de Boa Vista – RR. Dissertação de mestrado. Rio de Janeiro, IPHAN, 2012.

7
SOUZA, Felipe Melo de. A forma urbana do centro de Boa Vista - RR a partir das influências do primeiro plano urbanístico. Dissertação de mestrado. Boa Vista, UFRR, 2015.

8
TREVISAN, Ricardo; FICHER, Sylvia; MATTOS, Frederico Maranhão de. Brasil: um século, cinco cidades novas administrativas. In Anais do XVII Enanpur. São Paulo, maio 2017.

9
Diploma expedido a 3 de junho de 1940, registrado na Divisão de Ensino Superior do Departamento Nacional de Educação, em 31 de abril de 1940.

10
Trabalho sistematizado no livro O Saneamento da Baixada Fluminense (1939), de autoria do professor do Curso de Engenharia da Universidade do Brasil Hildebrando de Araujo Góes (1899-1980), publicado pela própria Diretoria de Saneamento da Baixada Fluminense.

11
Diário Oficial da União, 12 ago. 1944, p. 54.

12
Diário Oficial da União, 21 set. 1944, p. 70.

13
Entrevista feita por Darcy Romero Derenusson em 03 de dezembro de 2016, na cidade de Boa Vista.

14
Como, por exemplo, o levantamento topográfico na avenida Arantes, em Santa Cruz, realizado em 1973 em parceria com os topógrafos Ivo Jacinto de Melo e Francis Whylie.

15
Sistema subterrâneo de captação de águas com 7,5km de extensão e galeria de dimensões semelhantes às galerias do Túnel Rebouças, concebido como solução de longo prazo para as inundações sazonais na cidade, mas que foi apenas parcialmente executado.

16
Durante quatro anos a equipe de Derenusson fez levantamentos na praia de Copacabana para garantir que a obra pudesse ser executada sem o risco da areia voltar à posição original. De quinze em quinze dias os dados eram enviados ao Laboratório Oceanográfico de Cascais, em Portugal, para análise.

sobre os autores

Ricardo Trevisan é graduado em Arquitetura e Urbanismo pelo IAU-USP (1998); mestre em Engenharia Urbana pela UFSCar (2003); doutor em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-UnB (2009) - Prêmio CAPES 2010; com pós-doutorado na Columbia University (2014-2015). Professor adjunto no Departamento de Teoria e História da FAU-UnB. Líder do Grupo de Pesquisa: Paisagem, Projeto e Planejamento – Labeurbe, coordenador do projeto Cronologia do Pensamento Urbanístico. Pesquisador CNPq 2.

Sylvia Ficher é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP, obteve o Master of Science in Historic Preservation pela Columbia University, Nova York, e é Doutora em História Social pela FFLCH/USP. Fez Pós-Doutorado em Sociologia na École des Hautes Etudes en Science Sociales, Paris. Professora Titular da UnB, Pesquisadora CNPq 1B e coordenadora do Grupo de Pesquisa: Arquitetura e Urbanismo da Região de Brasília. Prêmio Clio 2005 pelo livro Os arquitetos da Poli.

Isabella de Carvalho Derenusson é estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília. Pesquisadora membro do "Laboratório de Estudos da Urbe" (Labeurbe-FAU-UnB).

Darcy Romero Derenusson é arquiteto e Urbanista pela Universidade Santa Úrsula (1978); Pós-Graduação em Engenharia Civil pela UFF (1995); Consultor do PNUD no Ministério do Meio Ambiente (1999 - 2005); Conselheiro do CREA-RJ (1982/1985); Professor de Geometria Construtiva e Plástica na FAU/UnB, (1997/2001); Professor de Urbanismo e Topografia da FEN/UERJ (1981/2005); Professor de Projeto de Arquitetura na FAU/USU (1978/1995); Professor de Urbanismo na UGF (1981/1995).

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